Vaquejada: o que é, como surgiu e onde assistir online

Uma paixão para muitos, uma curiosidade para outros: assim é a vaquejada.

Em diferentes regiões do país, mas especialmente no Nordeste, a sua realização faz parte da história e da cultura do povo.

Ao mesmo tempo em que é considerada como manifestação artística, é também um esporte e um negócio.

Tudo isso se explica pelo seu número de admiradores.

Mas o que é vaquejada, exatamente?

Não é incomum se deparar com a modalidade em uma transmissão online, como a partir de um canal do YouTube.

Alguns estados chamam a prática de rodeio, mas a verdade é que a vaquejada possui características próprias.

E, neste artigo, vamos trazer um guia com todas as informações sobre ela.

Você vai descobrir como são as disputas, quem participa e qual a origem dessa prática.

Também vai ficar por dentro da polêmica que culminou na sua regulamentação nacional.

E se quiser ver vaquejada online, sem sair da sua casa, vai conhecer os principais canais que se dedicam às transmissões.

Seja você um curioso, espectador, participante ou até possível investidor, não deixe de acompanhar este artigo até o final.

Boa leitura e bem-vindo ao mundo da vaquejada!

: o que é, como surgiu e onde assistir online
Foto por: Allan Damasceno fotografias (@allandamascenofotos)

O que é vaquejada?

A vaquejada é definida como uma atividade cultural típica do nordeste brasileiro, mas que também é praticada em outras regiões do país.

Aliás, é interessante observar que, dependendo da região, ela não é tratada como atividade cultural, mas regulamentada como prática esportiva.

Afinal, a vaquejada é, ao mesmo tempo, um show e uma competição.

Reúne vaqueiros montados sobre cavalos em perseguição a um boi. Mas essa é só a versão resumida da história – na sequência, vamos explicar o que acontece em uma vaquejada.

Trata-se de uma oportunidade de confraternizar, de reverenciar nossa cultura e de celebrar uma prática que, sem dúvidas, se enquadra como um importante patrimônio nacional.

Ainda neste artigo, vamos trazer dicas para você acompanhar vídeos e transmissões de vaquejada.

Vale a pena assistir para comprovar todos esses detalhes da modalidade e as curiosidades que a cercam.

Eventos de vaquejada costumam reunir espectadores aos milhares, principalmente na Região Nordeste, que é o berço da atividade.

O que acontece em uma vaquejada?

Mas o que se faz em uma vaquejada? Se você não é adepto ainda, é natural que esteja em dúvida.

Na modalidade, dois vaqueiros montados à cavalo têm um boi para derrubar.

Parece algo comum? Tenha calma, pois fica mais interessante no modo como isso acontece.

A disputa, ou exibição, ocorre em um local apropriado, chamado de parque de vaquejada.

Nele, há duas faixas marcadas com cal.

Depois de o boi ser solto, a perseguição inicia.

O animal deve ser cercado e conduzido pelos vaqueiros até a área onde estão essas duas faixas.

Tudo isso ocorre com o boi em disparada e, muitas vezes, resistindo à condução dos vaqueiros.

Mas não basta levá-lo até a área demarcada: chegando lá, é preciso derrubar o animal, puxando-o pelo rabo.

As regras podem mudar um pouco conforme a região, mas a empreitada só costuma render pontos quando o boi fica com as quatro patas para cima.

É o que determina os vencedores da disputa.

E tudo deve acontecer sem que o boi encoste nas faixas de cal.

Obviamente, isso cria um grau de dificuldade bem maior para os praticantes, especialmente porque o boi em questão não é de pequeno porte.

São animais robustos, perseguidos pelos bravos vaqueiros, geralmente montados sobre cavalos quarto de milha, mas também das raças árabe e puro sangue inglês.

Qual a função de um vaqueiro?

Como já explicado, a função do vaqueiro é conduzir o boi até a área demarcada pela cal e, ao chegar lá, derrubá-lo entre as duas linhas, puxando-o pelo rabo.

Na teoria, pode não soar tão complicado como é na prática.

Não por acaso, os vaqueiros profissionais são extremamente admirados pelo público.

Tanto é assim que a profissão de peão de vaquejada é regulamentada no país, o que se deu a partir da publicação da Lei Federal 10.220, de 11 de abril de 2001.

Ele é assim definido pela legislação:

“Art. 1º Considera-se atleta profissional o peão de rodeio cuja atividade consiste na participação, mediante remuneração pactuada em contrato próprio, em provas de destreza no dorso de animais equinos ou bovinos, em torneios patrocinados por entidades públicas ou privadas.

Parágrafo único. Entendem-se como provas de rodeios as montarias em bovinos e eqüinos, as vaquejadas e provas de laço, promovidas por entidades públicas ou privadas, além de outras atividades profissionais da modalidade organizadas pelos atletas e entidades dessa prática esportiva.”

A polêmica da vaquejada

Como destacamos até aqui, a vaquejada é história, é cultura, é esporte e é entretenimento.

Mas também é um negócio e, como tal, dá a sua importante contribuição para a economia das regiões onde os eventos são realizados.

Isso sem falar na geração de empregos e atração de turistas.

Mas nada disso impede a modalidade de colecionar desafetos e despertar polêmicas.

Você arrisca dizer uma razão para isso?

Se pensou nos defensores dos animais, acertou.

As características da vaquejada em si desagradam esse público, preocupado com possíveis maus tratos aos cavalos e, principalmente, aos bois.

A disputa com representantes de entidades de tradições nordestinas ficou séria, muito em razão da regulamentação da vaquejada em alguns estados.

Um dos precursores nesse movimento foi o estado do Ceará, onde, em 2013, passou a vigorar a Lei Estadual n.º 15.299, regulamentando a vaquejada como prática desportiva e cultural.

Inclusive, vale observar a atenção que a legislação deu à proteção dos animais, especialmente em seu artigo 4º:

“Art. 4º. Fica obrigado aos organizadores da vaquejada adotar medidas de proteção à saúde e à integridade física do público, dos vaqueiros e dos animais.

§ 1º O transporte, o trato, o manejo e a montaria do animal utilizado na vaquejada devem ser feitos de forma adequada para não prejudicar a saúde do mesmo.

§ 2º Na vaquejada profissional, fica obrigatória a presença de uma equipe de paramédicos de plantão no local durante a realização das provas.

§ 3º O vaqueiro que, por motivo injustificado, se exceder no trato com o animal, ferindo-o ou maltratando-o de forma intencional, deverá ser excluído da prova.”

Não foi o suficiente.

A Procuradoria da República no Ceará considerou a lei inconstitucional.

Com esse entendimento, formulou uma denúncia à Procuradoria Geral da República (PGR), de onde saiu uma representação Supremo Tribunal Federal (STF), na forma de Ação Direta Declaratória de Inconstitucionalidade (Adin).

Basicamente, foi solicitado ao STF tornar ilegal a realização da vaquejada, alegando possíveis maus-tratos aos animais.

Em 6 de outubro de 2016, novo ingrediente na polêmica: o STF decidiu que a lei cearense era de fato inconstitucional e foi além, proibindo a vaquejada em todo o país.

Sem dúvida, foi um duro golpe para os admiradores da prática.

Então, a vaquejada é ilegal?

A vaquejada só não é considerada ilegal no Brasil desde então porque, um mês depois, foi aprovada e publicada uma nova legislação, desta vez regulamentando a prática em todo o território brasileiro.

Atualmente, a vaquejada ganhou o status de manifestação da cultura nacional, tendo sido elevada à condição de patrimônio cultural imaterial do Brasil.

Isso ficou estabelecido pela Lei nº 13.364, publicada no dia 29 de novembro de 2016.

E não foi apenas essa a modalidade favorecida.

Além da vaquejada, a lei também estabeleceu como patrimônio cultural imaterial do Brasil o rodeio e as seguintes atividades:

  • Montarias
  • Provas de laço e apartação
  • Bulldogging
  • Provas de rédeas
  • Provas dos Três Tambores
  • Team Penning e Work Penning
  • Paleteadas
  • Outras provas típicas, como a Queima do Alho e o concurso do berrante
  • Apresentações folclóricas e de músicas de raiz.

Isso significa que, se você deseja conhecer mais sobre a vaquejada, assistir a uma disputa ou mesmo investir em um de seus eventos, conta com o respaldo da lei para isso.

Como surgiu a vaquejada?

A origem da vaquejada remete ao final do século 18, início do século 19.

Como você deve imaginar, o berço dessa manifestação cultural é a Região Nordeste.

Para ser mais preciso, há o entendimento de que a vaquejada como se conhece hoje surgiu na região de Seridó, no Rio Grande do Norte.

Foi uma adaptação nordestina a uma modalidade semelhante, que era praticada em Portugal e na Espanha.

Nos países europeus, contudo, o boi era derrubado com uma vara de ferrão – e não sendo puxado pelo rabo.

Mas por essa foi a forma escolhida para derrubar o boi?

Isso tem a ver com as características geográficas da região.

Na época, as fazendas não tinham uma divisão clara. O gado ficava solto na caatinga, em uma área de mata fechada e terreno acidentado.

Eventualmente, um boi se desgarrava do rebanho e tinha que ser recuperado. Eram os chamados marueiros ou barbatões.

Para conduzir o animal, então, era preciso contar com dois homens montados em seus cavalos, em um movimento muito parecido com o que os vaqueiros fazem nas disputas.

Mas usar a vara para derrubá-lo, nessas condições, era uma verdadeira missão impossível.

Eis que só mesmo puxando pelo rabo para controlar o boi e levá-lo de volta ao rebanho por entre as árvores, se esquivando de galhos secos e espinhos.

Quem se dava bem no desafio do que na época era chamado de “pegada do boi”, conquistava o respeito, a admiração e até fama entre os habitantes dos povoados.

Por vezes, o desafio até rendia recompensas aos vaqueiros.

Isso incentivou a prática, ainda em caráter bastante amador, mais como treinamento e diversão.

Mas não demorou para os coronéis da região enxergarem ali uma oportunidade de negócio.

Logo, onde havia uma festa popular, com feiras e forró, também ocorria apresentações de vaquejada.

Era o início da sua popularização no Nordeste.

Da corrida de morão à vaquejada atual

Por volta de 1940, vaqueiros da Bahia e do Ceará divulgavam as suas habilidades na lida com o rebanho, o que recebia o nome de “corrida de morão” (ou “mourão”).

A modalidade era diferente da pegada do boi, porque acontecia no pátio das fazendas.

Além disso, o desafio consistia em um vaqueiro correndo por vez atrás do boi por todo o pátio.

Ganhava quem tivesse mais destaque na puxada do boi.

Vendo a lucratividade do negócio, fazendeiros começaram a promover um novo tipo de vaquejada, na qual os vaqueiros tinham que pagar para participar da disputa e poder concorrer aos prêmios.

Na época, as montarias eram mais simples, sendo basicamente cavalos nativos.

Com o tempo, foram substituídos por cavalos de melhor linhagem, com maior velocidade e força.

Também o chão de terra batida e cascalho, que muitas vezes machucava os animais, foi substituído por uma superfície de areia, tendo limites definidos e um regulamento para a disputa.

Não bastava apenas pegar o boi em qualquer parte do terreno, mas era preciso fazê-lo na área demarcada.

Também a vaquejada começou a ser disputada por duplas e não individualmente como era antes, sendo que cada dupla tinha direito a correr três bois.

O primeiro rendia 8 pontos e, os demais, 9 e 10 pontos, respectivamente.

Ao final, os pontos eram então somados e a dupla que fizesse o maior número de pontos era declarada campeã, recebendo por isso um prêmio em dinheiro.

A vaquejada com três bois ainda existe, sendo chamada de “bolão”.

Já na década de 60, tiveram início as primeiras disputas na faixa dos seis metros, enquanto a pista de dez metros começou a ser usada somente em meados da década de 80.

A evolução da vaquejada

Não foi apenas nas regras da disputa que a vaquejada evoluiu.

Conforme a modalidade se profissionalizou, houve investimentos nas condições de segurança dos vaqueiros e também na integridade e saúde dos animais.

Uma das atitudes tomadas foi a introdução do protetor de cauda, usado para o boi não se ferir quando é puxado pelo vaqueiro.

O equipamento consiste em um rabo artificial, feito a partir de uma malha de nylon e fixado junto à base do rabo do boi, revestindo a cauda.

Todos esses esforços se justificam pelo que a modalidade representa hoje.

A vaquejada é um negócio lucrativo, que chega a movimentar até R$ 50 milhões em um só ano.

Para se ter uma ideia, segundo dados da Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ), são realizados mais de 4 mil eventos por ano no país.

Cada um deles tem um investimento aproximado de R$ 800 mil.

E o vaqueiro, ganha quanto?

Estimativas dão conta de que um vaqueiro iniciante recebe cerca de R$ 10 mil, isso em âmbito profissional, é claro.

Onde ocorre a vaquejada?

Os principais locais de realização da vaquejada estão na Região Nordeste.

Confira:

  • Ceará: são cerca de 700 vaquejadas por ano, gerando 600 mil empregos diretos e indiretos e movimentando em torno de R$ 14 milhões
  • Pernambuco: o número de empregos gerados em torno da atividade supera os 700 mil, entre diretos e indiretos
  • Paraíba: prática tem o reconhecimento de modalidade esportiva desde 2015, contando com mais de cem parques em todo o estado e distribuindo prêmios que somam até R$ 500 mil
  • Rio Grande do Norte: há em torno de 400 vaquejadas por ano, mobilizando cerca de 20 mil profissionais nas disputas
  • Alagoas: o estado tem cerca de 500 pistas utilizadas para treinamentos e competições, as quais somam cerca de 150 vaquejadas por ano
  • Bahia: patrimônio cultural imaterial dos baianos desde 2014, a vaquejada é também reverenciada como prática desportiva e cultural. Destaque para a vaquejada de Serrinha, realizada anualmente, sendo uma das mais tradicionais do Brasil.

Além dos estados citados, mesmo sendo uma prática típica do Nordeste, ela também ocorre na região Sudeste do país, em estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Em outras regiões, existem modalidades semelhantes, como o rodeio, no Sul do país.

Onde assistir vaquejada online?

Se você se interessou pela vaquejada, mas não consegue encontrar um evento próximo de onde mora, uma boa opção é ver vaquejada online.

Sim, você pode conhecer mais sobre a modalidade e conferir as disputas sem sair de casa.

Para isso, basta ficar por dentro da programação dos principais canais destinados a essa finalidade.

Listamos eles abaixo, especificando se as transmissões ocorrem em tempo real ou são exibidas depois.

Canais para você assistir vaquejadas ao vivo e gravações:

Canais para você ver vaquejadas somente gravadas:

Canais para você assistir entrevistas com vaqueiros e também algumas gravações de vaquejadas:

Conclusão

Neste artigo, você conferiu um guia completo sobre a vaquejada.

Agora, conhece a história dessa modalidade genuinamente nordestina.

Então, nada melhor do que assistir a uma bela vaquejada pessoalmente ou online nos sites que indicamos.

E se você gosta de montar e tem habilidade com cavalos, por que não se tornar um vaqueiro? Como você viu, a profissão é até mesmo regulamentada.

Além disso, as vaquejadas dão bons prêmios em dinheiro e arrastam multidões aos parques.

Já se você é um investidor e não tem vaquejadas em sua cidade, quem sabe não está aí um ótimo ramo de negócios.

Empreendimentos envolvendo esportes, ainda mais um tradicionalmente brasileiro, são sempre promissores.

Assim, você vive sua paixão de perto e ainda pode lucrar com isso.

Deixe seu comentário abaixo com sua opinião ou dúvida.

E se o artigo fez você lembrar de alguém, compartilhe em suas redes sociais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *